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ALGUNS ELEMENTOS SOBRE ESTIMULAÇÃO NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Nas ciências médicas, pesquisadores como o pediatra Jack Shonkoff (Shonkoff, 2011) vêm conduzindo estudos sobre como as experiências negativas na primeira infância, sobretudo a exposição sistemática a situações de negligência e abandono, afetam a construção da estrutura cerebral.

O autor criou o conceito de “Estresse Tóxico” para definir esse tipo de experiência e concluiu que a exposição a essas situações na primeira infância prejudica a construção do sistema neuronal da criança e colabora para a formação de um sistema de resposta mais sensível ao estresse, que, sendo ativado por qualquer pequeno estímulo, aumentaria os riscos do desenvolvimento de doenças físicas e mentais.

Procurando ainda determinar como fatores ambientais interferem no desenvolvimento infantil, o economista James Heckman (reconhecido com o Prêmio Nobel em 2000, por ocasião da criação de uma série de métodos precisos para avaliar o sucesso de programas sociais e de educação; cf. Cunha e Heckman, 2008, Heckman e Magistralis 2009) estudou os efeitos dos estímulos educacionais oferecidos às crianças nos primeiros anos de vida tanto no ambiente escolar quanto no ambiente familiar. Os resultados apontam para a seguinte conclusão: o investimento nos primeiros anos de vida é fundamental para a formação de um adulto bem sucedido, pois tem uma taxa de retorno muito maior do que investimentos em outros momentos de vida.

Os estudos de Heckman vão ao encontro de outras pesquisas que identificam a importância da estimulação nos primeiros anos de vida como o trabalho de Hart e Risley (1995), que demonstrou que crianças expostas a um maior número de interações verbais em seus primeiros anos apresentaram um desenvolvimento mais intenso na linguagem e melhor desempenho escolar nos anos posteriores.

Partindo da dificuldade em criar procedimentos duradouros que ampliassem os conhecimentos de crianças acima de 4 anos, Hart e Risley (1995) se dispuseram a estudar longitudinalmente as interações entre pais e bebês e o impacto dessa relação para o desempenho verbal posterior. Os dados de observação permitiram aos autores verificar que o tempo e a quantidade de interações verbais não variava de acordo com o gênero, a etnia, o nascimento de um novo bebê, ou se pai e mãe estavam trabalhando. Tempo e quantidade de interação verbal estavam mais consistentemente associados ao nível socioeconômico da família. Como o número de interações verbais em uma mesma família se manteve consistente ao longo do tempo, os autores concluíram que a experiência com a linguagem, ou seja, o número acumulado de interações, aos três anos, era muito diferente para crianças de determinadas famílias.

Talvez a mensagem mais importante da investigação sobre o desenvolvimento cerebral seja que o cérebro continua a desenvolver-se após o nascimento, em resposta a estímulos ambientais. Entretanto, nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento no número de sinapses estabelecidas é muito maior do que nos demais, o que significa dizer que as experiências e estimulações nesse momento são mais facilmente incorporadas ao repertório do indivíduo.

Diretor do Center on the Developing Child (Centro de Desenvolvimento Infantil) da Universidade de Harvard.

O conceito surgiu ao analisar o número de sinapses, estruturas responsáveis pela transmissão de um impulso nervoso de um neurônio para outro, no cérebro infantil em diversas situações de estresse. O autor observou uma diminuição significativa dessa estrutura em situações nas quais a criança fica exposta a estímulos extremos de estresse, de forma prolongada e renitente, sem contar com o apoio de um adulto que a proteja. Essas situações podem incluir a pobreza extrema, abuso físico ou emocional, negligência crônica, depressão profunda da mãe, abuso de substâncias e violência na família.

O autor faz referência a uma faixa de tempo que se inicia no nascimento e chega aos 4 anos de vida. Ele defende que todos os investimentos em quaisquer fases da vida da criança têm um retorno na educação, entretanto, quanto mais cedo esse investimento ocorre, mais retorno ele trará para a criança.

Dentre os resultados obtidos estava a grande diferença na quantidade de interações verbais entre pais e filhos das diferentes famílias. Os dados revelaram que em 1 hora, alguns pais passavam mais de 40 minutos interagindo com seus filhos, enquanto outros passavam menos de 15 minutos nesse tipo de interação com eles. Alguns pais interagiam verbalmente mais de 250 vezes em 1 hora com seu filho, enquanto outros interagiam menos de 50 vezes com ele. Certos pais expressavam aprovações e encorajamento mais de 40 vezes em uma hora, enquanto outros o faziam menos de 4 vezes também em 1 hora. Pais diziam mais de 3000 palavras diferentes em 1 hora na interação com a criança, enquanto outros diziam menos de 500 palavras neste período. Outra análise importante dizia respeito ao número de interações negativas. Estas eram inversamente proporcionais às demais interações. Os pais que tinham mais interações verbais emitiam quatro vezes menos interações negativas do que pais com poucas interações verbais.


Referências:

Shonkoff, J. P., Garner, A. S., Siegel, B. S., Dobbins, M. I., Earls, M. F., McGuinn, L., … & Wood, D. L. (2012). The lifelong effects of early childhood adversity and toxic stress. Pediatrics, 129(1), 232-246.Hart, B., & Risley, T. R. (1995). Meaningful differences in the everyday experience of young American children. Paul H Brookes Publishing.Heckman, J. J., & Magistralis, L. (2009). Investing in our young people: lessons from economics and psychology. Rivista Internazionale di Scienze Sociali, 117(4).Cunha, F., & Heckman, J. J. (2008). Formulating, identifying and estimating the technology of cognitive and noncognitive skill formation. Journal of Human Resources, 43(4), 738-782.

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