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QUANDO OS PROGRAMAS DE COMPUTADOR PARA EXERCITAR O CÉREBRO SÃO BEM FUNDAMENTADOS?


Atualmente, os jogos para melhorar nosso cérebro estão na moda. Todos nos preocupamos em melhorar habilidades como memória e raciocínio. No mês passado, o jornal New York Times publicou uma matéria sobre esse assunto, questionando a eficácia científica de alguns desses jogos. O título do artigo é “Exercícios para a mente funcionam? A ciência não tem certeza”. A matéria do NYT foi traduzida pela Folha de S. Paulo, em 31 de março de 2014.

Recentemente também, a Ph.D Martha Burns, da Scientific Learning Corporation, escreveu um artigo esclarecedor sobre quais são os fatores que nos permitem avaliar se os jogos que exercitam o cérebro funcionam e sobre como eles funcionam da melhor forma. O artigo de Martha Burns chama-se “Como saber se um programa baseado em neurociências é bem desenvolvido”. Nele, a pesquisadora comenta justamente sobre a onda atual de programas neurocientíficos e sobre a dúvida das pessoas, quando se perguntam, por exemplo, o seguinte: “Por que fazer um programa online seria diferente de jogar um jogo de cartas que requer atenção e memória?”.

Vamos listar abaixo apenas algumas das perguntas que Burns apresentou em seu texto e que geralmente nos fazemos quanto aos programas para melhora cognitiva:

– Em que um jogo de treinamento cerebral em computador difere de um jogo de atenção de tabuleiro? – Atividades tradicionais – como fazer palavras cruzadas ou jogar sudoku – ajudam o melhor funcionamento do cérebro? – Por que os ganhos neurológicos num jogo de computador para treinamento do cérebro seria diferente dos ganhos da atividade de ler, por exemplo?

Segundo Martha Burns, todas essas atividades tradicionais ajudam a melhora neurológica, afinal, o cérebro é um órgão plástico, que se modifica por meio da experiência cotidiana que recebe e na qual atua. No entanto, a pesquisadora cita diversas pesquisas em que as pessoas que fizeram programas de computador para melhora cognitiva obtiveram um aumento maior de habilidades em comparação às que não fizeram. Algumas dessas pesquisas foram realizadas por Loosli (2012) e Rebok (2014). Nas investigações de Loosli (2012), um grupo de jovens que realizou exercícios de memória todos os dias teve aumento de memória de trabalho e, em adição, demonstrou ganhos nos índices de leitura. O mesmo não ocorreu com as crianças que apenas tiveram aulas de leitura e não realizaram conjuntamente os exercícios de memória.

Assim, segundo os neurocientistas, os exercícios cognitivos apresentam alguns componentes críticos que os diferenciam das atividades rotineiras. Esse diferencial justifica sua existência e também faz com que os ganhos de melhora em nossa atividade cerebral sejam obtidos. Esses elementos reunido por Martha Burns, a partir do debate atual em neurociências são os seguintes:

– Os exercícios devem ter um conteúdo que inclua o fácil e o difícil, ao mesmo tempo (Ahissar et al, 2009). Segundo Burns, esse é o aspecto típico de uma história de detetive, ou seja, para entender o quadro inteiro, você tem primeiro que entender os detalhes.

– Adaptabilidade: os exercícios devem ser adaptáveis à performance do aluno, assim, os desafios devem ser proporcionais ao desenvolvimento do participante (Roelfsema, 2010).

– Frequência e intensidade: as habilidades mais relevantes precisam ser identificadas e treinadas centenas ou milhares de vezes, ou seja, quase diariamente (Roelfsema, 2010).

– Foco: para garantir maior permanência das mudanças no córtex, o participante deve prestar atenção em cada tentativa.

– Motivação no tempo certo – Os acertos devem ser gratificados imediatamente (Roelfsema, 2010).

Para os familiares e para qualquer um que queira entender quais exercícios para melhora cognitiva funcionam é importante verificar dois fatores:

– Se esses programas são anunciados como jogos cerebrais ou como exercícios. Se são anunciados como jogos é provável que não sejam educacionalmente desafiadores.

– Se os programas possuem embasamento científico, tanto em sua criação, quanto em sua avaliação.

– Se os programas trabalham conteúdos diversificados como linguagem, língua, leitura, memória e atenção, por exemplo.

Essas são algumas dicas de Martha Burns para distinguir os programas de exercícios para o cérebro. Ela ajudam tanto alguém que queira trabalhar com crianças que tenham alguma dificuldade de aprendizagem, quanto qualquer pessoa que queira melhorar sua aprendizagem.

Referência BURNS, Martha. How to tell when neuroscience based programs are well-developed. “http://www.scilearn.com/blog/martha-burns-ph.d/

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