Autismo

O que é?
 
O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta o indivíduo quanto à capacidade de se comunicar, de estabelecer relacionamentos (socialização) e de responder apropriadamente ao ambiente, segundo as normas que regulam essas respostas (comportamento). Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes chamado transtorno global do desenvolvimento (TGD), também conhecido como transtorno invasivo do desenvolvimento (TID) – do inglês pervasive developmental disorder (PDD). Entretanto, nesse contexto, a tradução correta de “pervasive” é “abrangente” e “global”, e não “penetrante” ou “invasivo”. Mais recentemente, cunhou-se o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA) para englobar o Autismo, a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação.
 
Os estudos iniciais consideravam o transtorno como resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre elas, fatores genéticos e biológicos. As pesquisas continuam a ocorrer em diversas áreas do desenvolvimento, buscando causas e tratamentos que provem eficácia nos quadros autistas.
 
Algumas crianças apresentam inteligência e fala intactas. Outras apresentam sérios problemas no desenvolvimento da linguagem. Algumas parecem fechados e distantes. Outras presas a padrões de comportamento rígidos e restritos. Os diversos modos de manifestação do autismo também são designados por espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas do autismo. Atualmente já há a possibilidade de detectar a síndrome antes dos dois anos de idade em muitos casos.2
 
Diagnóstico
 
O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos pelo DSM–IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).
 
Segundo a ASA (Autism Society of America), indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:
1. Dificuldade de relacionamento com outras pessoas.
2. Riso inapropriado.
3. Pouco ou nenhum contato visual – não olha nos olhos.
4. Aparente insensibilidade à dor – não responde adequadamente a uma situação de dor.
5. Preferência pela solidão; modos arredios – busca o isolamento e não procura outras crianças.
6. Rotação de objetos – brinca de forma inadequada ou bizarra com os mais variados objetos.
7. Fixação inapropriada em objetos.
8. Hiperatividade perceptível ou inatividade extrema – muitos têm problemas de sono ou excesso de passividade.
9. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino – muitos precisam de material adaptado.
10. Insistência em repetição desnecessária de assuntos, resistência à mudança de rotina.
11. Não tem real medo do perigo – consciência de situações que envolvam perigo.
12. Procedimento com poses bizarras – fixar objeto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma determinada maneira os alizares.
13. Ecolalia – repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal.
14. Recusa colo ou afagos – bebês preferem ficar no chão que no colo.
15. Age como se estivesse surdo – não responde pelo nome.
16. Dificuldade em expressar necessidades – sem linguagem oral e/ou corporal (gestos) ou com linguagem oral e/ou corporal limitada.
17. Acessos de raiva – demonstra extrema aflição sem razão aparente.
18. Habilidade motora irregular – pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos.
19. Desorganização sensorial – hipo ou hipersensibilidade, por exemplo, auditiva.
20. Não faz referência social – entra num lugar desconhecido sem antes olhar para o adulto (pai/mãe) para fazer referência antes e saber se é seguro.
 
É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém muitos dos sintomas estão presentes entre os 12 e os 24 meses da criança. Eles variam de leve a grave e em intensidade, pois o autismo se manifesta de forma única em cada pessoa.
 
Vale salientar também que a ocorrência desses sintomas não é determinista no diagnóstico do autismo. Para tal, faz-se necessário acompanhamento com psicólogo, psiquiatra da infância ou neuropediatra.
 
Recomendações
 
Não existe tratamento padrão. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Dessa forma, o tratamento do autismo vai depender da gravidade do déficit social, de linguagem e comportamental em que o indivíduo se encontra. Existem diversas abordagens, algumas melhor embasadas cientificamente que outras.
 
De qualquer forma, a terapêutica pressupõe uma equipe multi e interdisciplinar: tratamento médico (pediatria e psiquiatria); e tratamento não-médico (psicologia, fonoaudiologia, pedagogia e terapia ocupacional); e, é desejável que tenha como objetivos a a profissionalização e a inclusão social, uma vez que a intervenção apropriada resulta em considerável melhora no prognóstico.
 
O sucesso do tratamento depende não só do empenho e da qualificação dos profissionais que se dedicam ao atendimento desses indivíduos, como também dos estímulos feitos pelos cuidadores no ambiente familiar. Quanto mais os cuidadores souberem sobre o tratamento do autismo, melhor para o desenvolvimento global da criança. Ter em casa uma pessoa com formas graves de autismo pode representar um fator de desequilíbrio para toda a família, por isso, todos os envolvidos precisam de atendimento e orientação especializados.
 
A demora no processo de diagnóstico e de aceitação é prejudicial ao tratamento, uma vez que a identificação precoce deste transtorno global do desenvolvimento permite um encaminhamento adequado e influencia significativamente na evolução da criança.
 
O quadro de autismo não é estático: alguns sintomas modificam-se; outros podem amenizar-se e vir a desaparecer; novas características podem surgir com a evolução do indivíduo. Aconselha-se avaliações sistemáticas e periódicas.

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Referências
 
Wikipedia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Autismo
 
Drauzio Varela
http://drauziovarella.com.br/crianca-2/autismo/
 
ABRA – Associação Brasileira de Autismo
 
http://www.autismo.org.br/site/
 
Para fazer Download de Guia prático sobre autismo
 
http://www.autismo.org.br/site/images/Downloads/7guia%20pratico.pdf